Stevia

Publicado em 15/05/2013

Neste momento nós estamos no meio de um guerra alimentar, guerra das dietas e guerra do lucro também. Esta semana o meu dilema foi sobre a Stella, que a bastante é usada por muita gente e que é bum do momento agora e esta sendo considerada uma solução para o açúcar e os adoçantes.

Resolvi pesquisar, já que a última vez que foi lançada uma solução para o açúcar as pessoas começaram a se entupir de adoçantes e mais tarde… tava todo mundo ferrado.

Começando pelo começo então, a stevia é uma planta nativa do Paraguai e é 300 vezes mais doce que o açúcar, não afeta em nada os níveis de glicose no sangue e não tem calorias. Usada por indígenas desta região e a muitos anos e muitos anos, e curiosamente, usada no Japão como adoçante a várias décadas também.

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Esta planta não foi descoberta recentemente pelos pesquisadores e a indústria alimentícia, como dá a impressão, a muito tempo já se discute os efeitos da stevia. Alguns disseram que a stevia poderia causar infertilidade e então estudos foram feitos em relação a isso, mas nada foi provado. A hipótese foi levantada depois que uma mulher indígena do Paraguai alegou usar stevia como método contraceptivo ou algo do gênero.

Sites se dedicam a publicar estudos a favor da stevia, e lógico vendem a mesma e livros sobre o assunto. Um deles é este aqui http://www.stevia.net/. Também achei este aqui http://www.wso-site.com/, que é o site da World Stevia Organization, a propósito, em 2010 foi organizado um congresso sobre stevia aqui em Malta e agora terá outro este mês em Paris, é o Stevia Tasteful 2013.

Particularmente, eu não tenho uma opinião formada sobre o assunto, há várias divergências sobre o consumo da stevia industrializada. O produto que nós achamos nas prateleiras dos supermercados não é mais a planta consumida como adoçante natural pelos indígenas. É um produto altamente refinado e químico, então temos que considerar isso também. Muitas empresas estão lucrando com a comercialização da stevia e com a crescente propaganda negativa em relação ao açúcar.

Para ajudar um pouco, ou dificultar mais ainda, segue um artigo que bem imparcial sobre o assunto que eu traduzi do jornal australiano The SidneyMorning Gerald por que achei bem interessante:

A Doce Solução?

Stevia tem sido dito, por muitos, ser a solução doce do “problema” do açúcar.

Nativa do Paraguai, a stévia é até 300 vezes mais doce do que o açúcar, mas não tem quase nenhum efeito sobre os níveis de glicose no sangue e não contém calorias.

Foi lançada como a alternativa ‘natural’ para adoçantes artificiais e é a escolha do físico dos EUA e crítico de açúcar de renome, Gary Taubes, que disse que por aumentar nossos níveis de insulina, o açúcar, e não gordura, é responsável pela epidemia de obesidade e uma série de doenças relacionadas.

Em um artigo para o New York Times, ele disse “stevia tem o meu voto como o melhor adoçante não calórico, em virtude de ser o único que é verdadeiramente ‘natural’ … Extratos da erva tem sido usado como adoçante durante séculos. No Japão, a Stevia foi vendida amplamente como um substituto do açúcar desde o início da década de 1970, sem quaisquer efeitos adversos documentados “.

Já o autor do livro Doce Veneno sobre açúcar, adoçantes e como eles prejudicam a saúde das pessoas, é mais tímido em relação ao uso da stevia. Em seu livro, ele coloca stevia na lista de adoçantes que ele acredita que precisa de mais investigação.

De fato, as preocupações foram levantadas de forma intermitente sobre stevia ao longo dos anos. Foi questionada nos anos 70, ao mesmo tempo que os substitutos de açúcar tais como sacarina foram suspeitos de serem cancerígenos. Então, em 2008, quando a administração Bush acendeu a luz verde, o alarme de partida começou a tocar.

O Centro para a Ciência no Interesse Público dos Estados Unidos, emitiu uma declaração na época, dizendo que a stevia era “potencialmente perigosa” e que “é muito cedo para permitir o uso desta substância nos refrigerantes diet e sucos consumidos por milhões de pessoas.”

Mas, na maioria das vezes, a stevia é saudada por vários profissionais de saúde e empresas como uma cura natural do choque tóxico do açúcar para o sistema. Mesmo as empresas de confeitaria estão ficando entusiasmadas sobre stevia. Em setembro 2012, a Schweppes Austrália lançou a Pepsi Next. “A nova geração de cola … adoçado naturalmente com estévia”, dizem eles. “Usado em todo o mundo por centenas de anos, a estévia é um adoçante totalmente natural.

Mas, o Dr. Alan Barclay, do Diabetes Austrália e porta-voz da Associação de Nutricionistas da Austrália, diz que a stevia pode não ser tão natural como a comercialização quer nosfazer crer.

“Há um pouco de mitologia em torno dela”, diz ele. “Demorou um pouco para obter aprovação [em 2008 na Austrália], agora é o novo sabor do mês”.
Mas, adverte, a erva stevia é diferente do que vemos na prateleira do supermercado. Enquanto ele explica extrato da planta em si não contém calorias, porém raramente come-se stevia em sua forma pura.

O pó “é um extrato altamente refinado, misturado com álcool de açúcar e … até bulked com maltodextrina [um amido refinado que se decompõe em glucose]”, diz ele.

Apesar disso, Alice Gibson, nutricionista  no Instituto Boden da Obesidade, Nutrição, Exercício e Transtornos Alimentares da Universidade de Sydney, vê stevia como uma boa opção para as pessoas que estão controlando o seu peso ou a ingestão de calorias.

Ela sugere a compra da planta e usar as folhas comoum adoçante natural para o chá. Dito isto, ela não tem certeza se precisamos de uma solução para o açúcar, em primeiro lugar. “O açúcar não é mau”, diz ela, “se consumido em quantidades moderadas Se as pessoas consomem muito, elas precisam verificar de onde está vindo o açúcar consumido-. Frutas ou refrigerantes … terá que analisar a sua dieta como um todo. ”

“Precisamos de açúcar, carboidratos e gordura para sobreviver, mas, acima de certos níveis são um problema … só porque algo é de origem natural, não significa que é melhor para nós.”
Les Copeland, professor de agricultura da Universidade de Sydney, que é especializada em química de alimentos, concorda. Ele também diz que a maltodextrina adicionado em estévia não é preocupante. “É muito neutro … é produzido a partir de amido e é muito utilizado”.

Mas, a estévia “certamente não é” a solução para a obesidade, Copeland diz. “Não há fórmula mágica. Não há tal coisa. O certo é ter uma abordagem holística para a dieta, olhando para porções e também o quanto você está esta de exercitando para queimar calorias consumidas.”

Barclay concorda. É bom ter “a escolha do consumidor, enquanto as pessoas estão conscientes de que não é uma cura milagrosa”, diz ele. “Não ao consumo de açúcar não vai fazer os nossos problemas de estilo de vida ir embora.”

Na verdade, o movimento para evitar açúcar esta criando um outro conjunto de questões. Assim como a stevia, ele diz que muitos produtores de comida querem apelar para o público que tem medo de açúcar a usar oligosaccharides (que inclui maltodextrin) como alternativa, que não adiciona valor nutricional e pode aumentar muito o index glicêmico do produto

A preocupação, diz ele, é que a redução dos níveis de açúcar estão sendo substituídos por carboidratos altamente refinados, que, por causa de uma brecha na rotulagem nutricional, não são obrigados a ser trazida à atenção do consumidor. “Estes são os hidratos de carbono invisíveis”, diz ele.
Para resolver esse problema, Barclay pretende apresentar uma proposta de Food Standards Australia Nova Zelandia na próxima semana, recomendando “que lidamos com carboidratos no mesmo nível de gordura.”

Sydney Morning Herald

Dezembro de 2012

Sarah Berry

http://www.smh.com.au/lifestyle/diet-and-fitness/the-sweet-solution-20121210-2b4bv.html

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